Seu nome era sinônimo deste. Não tinha vergonha e nem medo em
se deixar levar pelo sentimento que acorrentava sua alma. Apaixonado por
essência, preenchia páginas e mais páginas com essa força que lhe consumia e
que domava o decorrer de sua escrita com delicadeza.
O amor, segundo teus poemas, tinha gosto, cheiro e textura.
Poderia ser áspero, poderia ser fogo, poderia ser mar e espuma. Poderia ser
pêssego, madeira, música e solidão. Levava consigo a fome, o desejo, a libido,
a fúria e a espera. Levava consigo a saudade e a vermelhidão.
Não era sempre lágrima e nem era sorriso. Era, em todos os
momentos, verdade. Verdade que não garantia um beijo exclusivo ou a eternidade.
Garantia o presente, a aventura do agora, a fuga pelos bosques perdidos e o
toque da aurora. Garantia a poesia.
Seu amor se estendia à sua natureza e à sua nação. Carregava
no peito as pedras negras de Coquimbo, as estrelas de Temuco e a neve de
Lonquimay. Avistava da janela o porto de Valparaíso e recebia, em seu rosto, o
carinho do vento, vindo do oceano.
Escrevia, sentado na Nuvem, sobre Matilde ou Rosário.
Biografava suas paixões enquanto o quadro de uma rainha olhava, diretamente,
para o de um rei. Seu amor também era pela sua complexa personalidade refletida
na organização dos objetos de sua casa.
Amava o único, amava o raro, amava o profundo e o
significado. Amava até mesmo a forma com que o amor se acabava e, tempos depois,
nascia novamente. Desta forma, escreveu muito mais que vinte poemas de amor e
uma canção desesperada. Escreveu a presença deste sentimento e a necessidade
que tinha de tê-lo dentro de si, “porque está escrito onde não se lê, que o
amor extinto não é a morte senão uma forma amarga de nascer”.

Nenhum comentário:
Postar um comentário